quinta-feira, julho 20, 2006

 

ADEUS


Do livro Poetas Novos de Portugal
ADEUS

José Régio

Vai-te, que os meus abraços te magoaram,
E o meu amor não beija!: /arde e devora.
Foram-se as flores do meu jardim. Ficaram
Raízes enterradas, braços fora... .

Vai-te! O luar é para os outros; e os afagos
São para os outros..., Os que ensaiam serenatas.
Já a lua que nos lagos bóia pérolas e pratas
Não nasce para mim, que estou sem lagos.

Quando me nasce, é como um reluzir da treva,
Um riso da escuridão,
Que na minh' alma ecoa, e que ma leva
Por lonjuras de frio e solidã...

Vai-te!, como vão todos; e contentes, de libertos
Do pêso de eu lhes não querer trautear mentiras.
Como serias tu, flébil flor de olhos de safiras,
Que me acompanharias nos desertos?

Vai-te! não me supliques que te minta!
Beijo-te os pés pelo que me oferecias. .
Mas teu amor, e tu, e eu, e quanto eu sinta,
Que somos nós... mais do que fantasias?

Sim, amor meu: em mim, teu amor era doce.
Premir na minha mão a concha nácar do teu seio
Era-me um bem suave enleio...,
Era...se o fôsse..

Vai-te, que eu fui chamado a conquistar
Os mundos que há nos fundos do meu nada.
Talvez depois reaprenda a inocência de amar.. .
Talvez. .. mas ai!, depois de que alvorada?

Porque até Lá, é longe; e é tão incerto,
Tão frio, tão sublime, tão abstrato, tão medonho!. . .
Como dar-te a sonhar êste sonho dum sonho?,

- Vai-te! A tua casa é perto.
Comentários:
Mariana, que imagem linda! Amei os cachorrinhos piscando. Consegui colocar um novo post e vou visitar os amigos aos poucos.
Desejo um final de semana em paz.
Beijos, Edna
 
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